sábado, 2 de abril de 2011
02/04/2011
Hoje foi um dia daqueles em que quebro a rotina, que saio da bolha em que tendo a viver imerso. Hoje testemunhamos uma chuva rara, daquelas em que se espelha o doce fim do mundo. Foi lindo. Não demorou muito para estarmos eu e Daph na chuva , se banhando de todas aquelas lágrimas jorradas aos montes. "Vocês vão pegar uma doença", disse uma moradora meio brava, embora eu acho que sua preocupação fosse mesmo com seu sono, sem interrupções de moleques na chuva gritando, dançando, cantando. Doença....tsc, engraçado, a cada dia que passa o ser humano se prende a suas próprias criações de forma a ficar dependente, nesse contexto, é difícil achar alguém que se aventure, como nos velhos tempos, pegar uma doença na chuva ao invés de um guarda chuva, ou talvez ficar na cama vendo apenas a imagem da natureza na TV. Aos poucos algumas pessoas que estavam com agente foram se dispersando com medo da perigosa rua, o outro mundo, o mundo onde as pessoas são "livres", o mundo perigoso. Fui então aproveitar o restinho de chuva que havia, levando Daph para casa. No caminho dividi meu chinelo com ela , ficamos meios descalços e completamente molhados, e então descemos a rua do fumo, a rua onde fumamos a noite, descemos correndo de mãos abertas , no meio da rua , sem carros, sem pessoas, sem nem mesmo cachorros que poderiam se incomodar com nossa presença, eram nós dois, correndo contra a chuva, brincando de ser livres com apenas um chinelo no pé cada. Escutávamos apenas o pé molhado com um chinelo trotando sobre a rua, o centro da rua. Não sei ao certo porque pensei nisso, mas se morresse naquela hora acho que pediria para Zeus mandar frequentemente chuvas para Daph poder dançar e brincar de ser humano, pediria trovões daqueles que imitam o apocalipse para que a Amanda pudesse ter a sensação do fim do mundo que ela queria estar viva para ver...eu disse, não sei porque pensei nisso.
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